quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Cidade dinâmica: da indústria ao condomínio residencial

A cidade é dinâmica. Uma amostra disso é a frenética mudança da paisagem. A todo tempo presenciamos abertura de uma nova via, a demolição de uma velha casa, a construção de um edifício. Umas mudanças são rápidas, como a construção de um condomínio por uma grande incorporadora, outras são lentas, como uma casa auto-construída nos bairros populares que pode demorar anos e anos.
A constante reconstrução do espaço urbano é facilmente observada na paisagem, embora muitas vezes não demos conta disso. No entanto, cada mudança na cidade nos revela significados que vão além da paisagem. Além das formas, é revelado o conteúdo atual da cidade.
O Serra é um bom lugar para verificarmos isso. Como todos sabem, a cidade vive há alguns anos um intenso crescimento econômico e imobiliário. “Pipocam” para todos os lados, novos condomínios residenciais e centros comerciais. Muitos empreendimentos são erguidos em vazios urbanos e outros em lugar de armazéns e antigas fábricas.
Um caso notório dessa mudança de conteúdo da cidade da Serra é a construção de um novo condomínio no lugar da antiga Atlantic Venner do Brasil. Essa indústria surgiu no final dos anos 1960 e por várias décadas foi uma das principais fábricas de derivados de madeira do Brasil. Em seu auge, chegou a ter a quase 5 mil habitantes e estimulou diretamente a criação e ocupação de bairros vizinhos a planta industrial. A empresa faliu no final da década de 1990. Ela representou a dinâmica clássica da cidade industrial, inclusive contava com uma vila operária, o atual bairro de Chico City.
Há alguns meses toda sua estrutura vem sendo desmontada. Seus enormes galpões foram abaixo. O último “símbolo” a ir abaixo foi uma das extensas paredes de um dos maiores galpões da empresa. Em seu lugar está sendo erguido a nova sede uma faculdade e, na maior parte, será construído mais um grande condomínio pela MRV Engenharia no município.















Figura 1 – Trator destruindo o que resta da Atlântic Venner.

A grandiosidade da fábrica cederá espaço para a grandiosidade do condomínio fechado. Se antes era a fábrica que explorava a força de trabalho de milhares de pessoas, agora emerge o proletário da construção civil. Se antes, a extensa periferia revelava a metrópole industrial, hoje os enclaves mostram a metrópole fragmentada, resultado de novas formas de se ganhar dinheiro com a cidade, como é o caso do mercado imobiliário que se expande espacialmente na Grande Vitória. Antes, como hoje, a cidade se mostra excludente, porém com novos contornos. 

Thalismar Gonçalves
Professor de Geografia da rede estadual de Ensino 
AGB - Seção Vitória

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Censo 2010: 11,4 milhões de brasileiros (6,0%) vivem em aglomerados subnormais

Em 2010, o país possuía 6.329 aglomerados subnormais (assentamentos irregulares conhecidos como favelas, invasões, grotas, baixadas, comunidades, vilas, ressacas, mocambos, palafitas, entre outros)em 323 dos 5.565 municípios brasileiros. Eles concentravam 6,0% da população brasileira (11.425.644 pessoas), distribuídos em 3.224.529 domicílios particulares ocupados (5,6% do total). Vinte regiões metropolitanas concentravam 88,6% desses domicílios, e quase metade (49,8%) dos domicílios de aglomerados estavam na Região Sudeste.
Os aglomerados subnormais frequentemente ocupam áreas menos propícias à urbanização, como encostas íngremes no Rio de Janeiro, áreas de praia em Fortaleza, vales profundos em Maceió (localmente conhecidos como grotas), baixadas permanentemente inundadas em Macapá, manguezais em Cubatão, igarapés e encostas em Manaus.
Nos aglomerados, 67,3% dos domicílios tinham rede de coleta de esgoto ou fossa séptica; 72,5% recebiam energia elétrica com medidor exclusivo; 88,3% eram abastecidos por rede de água; e 95,4% tinham o lixo coletado diretamente ou por caçamba.
Esses e outros dados podem ser encontrados na publicação Aglomerados Subnormais – Primeiros Resultados, que tem como objetivo mostrar quantas pessoas vivem e quantos domicílios existem nessas áreas, os serviços públicos existentes e algumas de suas características socioeconômicas (composição da população por sexo e idade; cor ou raça; analfabetismo e rendimento).
Para saber com mais detalhes sobre como o IBGE define o que são aglomerados subnormais e de que forma foi realizada a investigação sobre essas áreas no Censo Demográfico 2010, leia a notícia “Censo 2010 aprimorou a identificação dos aglomerados subnormais”: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=2051
A publicação completa sobre aglomerados subnormais está disponível na página http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/aglomerados_subnormais/default_aglomerados_subnormais.shtm. Além de tabelas com as informações para cada um dos aglomerados, há arquivos com seus limites em formato shape file (SHP) e KMZ (compatível com o Google Earth).
Quase metade (49,8%) dos domicílios de aglomerados eram da Região Sudeste
A Região Sudeste concentrava 49,8% dos 3,2 milhões de domicílios particulares ocupados em aglomerados subnormais (23,2% em São Paulo e 19,1% no Rio de Janeiro). Os estados do Nordeste tinham 28,7% do total (9,4% na Bahia e 7,9% em Pernambuco). A Região Norte possuía 14,4% (10,1% no Pará). A ocorrência era menor nas regiões Sul (5,3%) e Centro-Oeste (1,8%):

Mais informações:
http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=2057&id_pagina=1


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Censo 2010 e Indicadores sociais

Indicadores Sociais Municipais 2010: incidência de pobreza é maior nos municípios de porte médio

Os resultados do Censo Demográfico 2010 mostram que a desigualdade de renda ainda é bastante acentuada no Brasil, apesar da tendência de redução observada nos últimos anos. Embora a média nacional de rendimento domiciliar per capita fosse de R$ 668 em 2010, 25% da população recebiam até R$ 188 e metade dos brasileiros recebia até R$ 375, menos do que o salário mínimo naquele ano (R$ 510).
Em 2010, a incidência de pobreza era maior nos municípios de porte médio (10 mil a 50 mil habitantes), independentemente do indicador de pobreza monetária analisado. Enquanto a proporção média de pessoas que viviam com até R$ 70 de rendimento domiciliar per capita naquele ano era de 6,3%, nos municípios com 10 mil a 20 mil habitantes, essa proporção era duas vezes maior.

O restante da matéria:  
http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=2019&id_pagina=1



Um texto de divulgação do Censo 2010 sobre alguns dados acerca de indicadores como analfabetismo, saneamento básico, renda etc. É interessante observar que os resultados divulgados ressaltam que os indicadores de pobreza nos municípios de porte médio (para o IBGE, com população entre 10 e 50 mil habitantes) são mais elevados, se compararmos com as aglomerações maiores. Evidentemente, esses resultados têm limites se levarmos em conta o que é uma cidade desse porte no estado de São Paulo ou Rio de Janeiro, no Espírito Santo ou no Amazonas, porém, de qualquer maneira as informações são relevantes para pensarmos o fenômeno urbano e as políticas de planejamento.
Quais são os rebatimentos de tais informações para a dinâmica socioeconômica do Espírito Santo? Vai na direção da proposta de descentralização e interiorização do desenvolvimento apregoado pelo Governo Estadual no ES 2025? E essa proposta de desenvolvimento irá atacar de fato a pobreza? 

Postado por Thalismar

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Questão da moradia popular na Argentina



Um documentário sobre a questão do acesso à terra urbana em Cordoba, na Argentina. É importante observar que a questão da habitação popular é um problema de toda a América Latina. Num contexto onde a terra urbana passa a ser cada vez mais estratégica para a acumulação do capital, o acesso a terra urbana pelos grupos sociais mais pobres torna-se cada vez mais mais difícil.
Postado por Thalismar

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Projetos do poder público para a mobilidade X Moradores de Eurico Salles

Desde 2009 os moradores de Eurico Salles, Serra, têm se mobilizado na tentativa de evitar que o Terminal de Carapina seja transferido para uma área próxima ao bairro. Desde então, tem ocorrido protestos, reuniões com a CETURB, audiências públicas. Hoje a tarde (01/11/ os moradores realizaram mais um protesto. 
Para os moradores, um terminal rodoviário trará mais aspectos negativos que positivos para a comunidade. O principal argumento, por parte da Associação de Moradores, é aumento de fluxo de veículos estimulado pelo Terminal. Além disso, a centralidade provocada por um equipamento urbano como esse pode estimulador uma rápida e intensa mudança no perfil do bairro a partir do desenvolvimento comercial. As ruas pacatas com residências podem ceder espaço, com o tempo, a lojas, carros etc. 
Estratégicamente, a relocalização do Terminal se articula a um processo de requalificação do espaço sul da Serra, cujos principais icones são os condomínios e o Shopping Mestre Álvaro. O novo Terminal de Carapina é uma peça chave para a reestruturação do espaço para o consumo. É o Estado, mais uma vez, tornando os negócios privados viáveis por meio do dinheiro público. Porém, essa ação do poder público vem acompanhada do discurso falasioso de que a definição da localização obedece exclusivamente a critérios técnicos. 
Os moradores, no entanto, não aceitam esses "critérios" técnicos. Argumentam que há outras áreas no município para tal equipamento, como pode ser lido no Dossiê da AMBES (em link abaixo). 
Alguns links sobre o caso: 
http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2011/02/763866-terminal+do+transcol+motiva+protesto+em+eurico+salles.html
http://eshoje.jor.br/construcao-de-terminal-causa-protesto-e-fechamento-de-via-na-serra.html

Dossiê da AMBES: http://ambes.com.br/associacao/oficios/415-oficio-0952011-dossie-sobre-fechamento-do-terminal-da-ceturb-em-carapina-e-sua-transferencia-para-o-bairro-eurico-salles.html


 Postado por Thalismar


domingo, 23 de outubro de 2011

Mais uma estratégia da cidade competitiva ...Arena Esportiva e Cultural: Serra

Na semana passada foi anunciada a construção de uma Arena Esportiva e Cultural, em Jacaraípe, Serra. Esse grande empreendimento será financiado por recursos federais, estaduais e do município. A justificativa, mais uma vez, é que essa Arena, com padrão "internacional", poderá colocar o município da Serra na rota de eventos esportivos nacionais e internacionais. Em função desse contexto, seriam criadas oportunidades de investimentos e geração de emprego e renda.   
Será que essa é melhor forma de politica esportiva? Será que esse grande montante de dinheiro não poderia ser investido em dezenas de complexos esportivos, de menor porte, ligados as escolas públicas, estimulando os jovens a praticarem diversas modalidades esportivas? 
Além de representar um alcance limitado para o desenvolvimento do esporte local, essa obra pontual promoverá uma diferenciação do espaço urbano, potencializando a atividade imobiliária em Jacaraípe. Inflacionando ainda mais os terrenos. Os impactos urbanos, os negativos, de tais empreendimentos devem ser colocados na pauta das discussões. Esses projetos são "empurrados" para a população sem nenhum diálogo efetivo.

Matéria completa no sitio da prefeitura da Serra:
Estado e Serra assinam convênio e ordem de serviço para construção de Arena Esportiva e Cultural com padrão internacional 20/10/2011 por Alexandro Xavier

 PMS
 
A Arena Cultural e Esportiva Jacaraípe poderá abrigar competições e delegações esportivas

O Governador Renato Casagrande e o Prefeito Sérgio Vidigal assinam nesta sexta-feira (21), às 19 horas, o convênio e a ordem de serviço para a construção da Arena Esportiva e Cultural Jacaraípe, no local do antigo Clube Riviera. O complexo de esportes e lazer terá um investimento de R$ 11,97 milhões. Do total, R$ 1,46 milhão é do Ministério do Esporte, via emenda parlamentar, e R$ 10 milhões serão repassados pelo Governo do Estado. A previsão é que a obra seja entregue em 540 dias. A solenidade será no local do antigo Clube Riviera.

A obra, de padrão internacional, terá quadra oficial para a prática de esportes em ambientes fechados e piso nos padrões dos ginásios dos times da NBA, a liga profissional de basquete dos EUA. O piso da quadra da Arena Esportiva e Cultura Jacaraípe será flexível, de poliuretano, composto de uma camada de borracha granulada, sem juntas ou emendas, com resinas autonivelantes. O material do piso reduz o impacto sobre as articulações dos atletas durante as quedas ou saltos, principalmente nos jogos de vôlei ou basquete, diminuindo o risco de contusões.

Matéria completa: http://www.serra.es.gov.br/portal_pms/ecp/noticia.do?evento=portlet&pAc=not&idConteudo=24457&acao=proc&pIdPlc=&app=

Postado por Thalismar

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

BBB como estratégia de combate a criminalidade

“(...) Na realidade os discursos repressivos (...) com a aprovação de instrumentos de penalização é uma espécie de cortina de fumaça e faz aumentar a naturalização dos controles sociais cruzados e diversos.”(ZANOTELLI et all, 2011)

Nos últimos dias a prefeitura da Serra anunciou a expansão de sua rede de monitoramento para mais 19 bairros do município.  Atualmente, o número de câmeras ultrapassa uma centena. O que se observa é a rápida expansão das câmeras no município. Esse processo de controle do cidadão tem se mostrado uma estratégia privilegiada da PMS no combate a criminalidade. Notícias recentes apontam a redução quantitativa de infrações nos bairros monitorados, evidenciando, para a opinião pública, que a aposta nas câmeras foi um “tiro” certeiro, perdoe-me o trocadilho.
A criminalidade é um tema complexo. Certamente o monitoramente em determinadas áreas da cidade, provocaram, de imediato, uma redução das infrações. Esse controle do espaço pelas câmeras provocará constrangimentos de determinadas práticas, como as ilícitas. No entanto, não podemos reduzir uma política de segurança pública a uma espécie de BBB.
Por um lado, práticas como o monitoramento nos bairros considerados mais violentos expressam uma ação de controle direto do Estado sobre a população da periferia. Por outro, a instalação de câmeras na cidade estimula o mercado da segurança, que tende a se expandir cada vez mais, na medida em que o medo e a insegurança se espalham, em grande parte estimulada pelas matérias sensacionalistas da mídia.
As diferentes expressões da violência urbana são frutos de um processo de urbanização excludente, típicos de países como o Brasil. As taxas de violências crescem na medida em que a desigualdade e exclusão se acirram. A política das câmeras expressa a ideia de que a violência está no outro, é culpa do outro. Na verdade a violência urbana é expressão de nossa sociedade, porém, as maiores vítimas tem idade, cor, classe social e local de moradia: jovem, negro ou pardo, pobre e morador da periferia (ZANOTELLI et  all, 2011).

Algumas matérias:

Sugestão de leitura: ZANOTELLI et all. Atlas da criminalidade no Espírito Santo. São Paulo: Annablume, 2011.
Postado por Thalismar Gonçalves

sábado, 24 de setembro de 2011

CAMPANHA A FAVOR DA PEC DA HABITAÇÃO


3/5/2011 -Fonte: http://www.moradiadigna.org.br/moradiadigna/v1/index2.asp?p=19&id=78
Moradia Digna define agenda 2011
Meta é completar 1 milhão de assinaturas a favor da PEC 285 até outubro
A coordenação nacional da Campanha Nacional pela Moradia Digna – Uma Prioridade Social definiu em abril, durante reunião plenária, priorizar a coleta de assinaturas em prol da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 285/08, a chamada PEC da Habitação, para que sejam entregues ao Congresso em outubro.
A PEC “acrescenta artigo ao ato das disposições constitucionais transitórias para dispor sobre a vinculação de recursos orçamentários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios aos respectivos Fundos e Habitação de Interesse Social”. Os recursos definidos na PEC –2% do Orçamento da União e 1% dos Estados, Municípios e Distrito Federal– são o mínimo necessário para que todos os Estados cumpram a tarefa de combater o déficit.
“No ano passado, a Campanha não teve a força que queríamos por conta da desmobilização imposta pelo processo eleitoral e pelo avanço da questão habitacional no país, o que é um mérito do governo, mas agora temos plenas condições de retomá-la com energia, até porque nossa meta é garantir que todo brasileiro que hoje está inserido nas estatísticas do déficit tenha uma moradia digna para viver”, afirmou Miguel Sastre, coordenador-geral da Campanha e membro do Núcleo de Habitação Popular do SindusCon-SP.

Para Elcio Sigolo, secretário-geral da Campanha, um dos pontos positivos da Campanha foi a inclusão da PEC na pauta da Câmara –a proposta já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados e aguarda votação pelo Plenário. Ele lembrou que já foram recolhidas 400 mil assinaturas que pedem a aprovação, pelo Congresso Nacional, da PEC da Habitação. “Somente com o empenho das entidades apoiadoras da Campanha pela Moradia Digna será possível obter as 600 mil restantes”, reconheceu.
“A Campanha valorizará as entidades que demonstrarem comprometimento com a coleta de assinaturas e com a divulgação da Campanha em seus sites”, afirmou Carlos Marun, secretário de Habitação do Mato Grosso do Sul e representante do Fórum Nacional de Secretários de Habitação e Desenvolvimento Urbano. Cada uma das entidades deverão ter um banner em seus endereços eletrônicos para direcionar o internauta para o site www.moradiadigna.org.br.

Política de Estado
“É importante dar continuidade à Campanha, até porque, na prática, o país precisa de uma política de Estado para a habitação, e não apenas um programa, que só é bom enquanto dura”, afirmou Antonio José de Araújo, representante do MNLM (Movimento Nacional de Luta pela Moradia). “A política de Estado encoraja a realização da produção de moradias”, completou.
“A PEC é um avanço em relação ao MCMV”, definiu Carlos Marun.
Miguel Sastre lembrou que o momento do programa Minha Casa Minha Vida é delicado. “Sabe-se que, embora o governo não admita, o corte no Orçamento provocará contenções também nesta área”, afirmou.
Para Maria Henriqueta Alves, representante da CBIC, o corte de R$ 5,1 bilhões no Orçamento “é prova clara de que a moradia tem que ter uma política específica”. 


sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Mais despejo na Serra

Justiça e BME retiram 300 famílias de terreno invadido na Serra

Paulo Rogério
Rádio CBN Vitória (93,5 FM)

foto: Paulo Rogério
Desocupação Cidade Continental 300x200
Desocupação Cidade Continental nesta sexta-feira
Militares a cavalo, muitas viaturas e homens do Batalhão de Missões Especiais (BME), utilizando cães e escudos. O efetivo de 85 homens da Polícia Militar chamou atenção de quem passava próximo à Lagoa de Carapebus, Serra, na manhã desta sexta-feira (9). Todos eles estiveram no local para dar apoio ao cumprimento de uma liminar de reintegração de posse em uma área ocupada por 300 famílias.

As famílias estavam no local há cerca de um mês e meio, segundo informações de oficiais de Justiça que estiveram no terreno. A ação é em favor da Arcelor Mittal Tubarão. A decisão, deferida no dia 21 de  julho deste ano, é do juiz Leonardo Alvarenga, substituto da 1ª Vara Cível da Serra. Havia a possibilidade de alguma resistência por parte dos ocupantes, uma vez que esta era a segunda tentativa de reintegração. Mas isso não aconteceu até o fim da manhã desta sexta.
Matéria completa: http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2011/09/noticias/cbn_vitoria/reportagem/957629-justica-e-bme-retiram-300-familias-de-terreno-invadido-na-serra.html

Postado por Thalismar

domingo, 4 de setembro de 2011

Cadê o parque? (sobre a promessa do Parque da Petrobrás em Vitória - ES)

Repassando postagem do blog da arquiteta-urbanista Raquel Rolnik em 31 de agosto de 2011.
Fonte: http://raquelrolnik.wordpress.com/2011/08/31/petrobras-cade-o-parque-em-vitoria/

Petrobras, cadê o parque em Vitória?


Por Raquel Rolnik


Moradores de Vitória (ES) estão cobrando da Petrobras a construção de um parque numa área onde a empresa está construindo uma grande unidade de negócios. Segundo informações enviadas por um leitor, uma das contrapartidas exigidas pelo Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) para a aprovação do empreendimento foi a construção do parque numa área de 15 mil m². O EIV é um dos instrumentos previstos no Estatuto da Cidade para planejamento e gestão do solo e a cidade de Vitória já vem aplicando este mecanismo, procurando compensar os impactos urbanísticos de grandes empreendimentos.
Agora, o centro de negócios está prestes a ser inaugurado e o parque ainda não saiu do papel. O que me impressiona nessa história é que ela mostra uma prática recorrente: quando se exige de uma empresa uma contrapartida para a construção de um empreendimento, esta nunca fica pronta antes (nem ao mesmo tempo) que o empreendimento. E depois que o gerador de impacto foi inaugurado, é bem mais difícil para as comunidades afetadas exigirem a implementação da contrapartidas.

Veja, no Facebook, a página da associação que luta pelo parque:
Petrobras, CADÊ O PARQUE???

Repassado por Flávio.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Especialistas em planejamento urbano e ambientalistas divulgam moção de repúdio contra PDM de VV

Especialistas em planejamento urbano, ambientalistas, sociedade civil e parlamentarem participam na tarde deste sábado, na Escola Vasco Coutinho, no Centro de Vila Velha, para o seminário "Vila Velha: Os rumos do desenvolvimento"

27/08/2011 - 18h11 - Atualizado em 27/08/2011 - 18h11
gazeta online -

Um seminário realizado em Vila Velha na tarde deste sábado (27) para discutir as mudanças do novo Plano Diretor Municipal (PDM) resultou na elaboração de um documento que repudia a condução das alterações por parte do Executivo da cidade.

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Especialistas em planejamento urbano, ambientalistas, sociedade civil e parlamentares participaram , na escola Vasco Coutinho, no Centro de Vila Velha, do seminário "Vila Velha: Os rumos do desenvolvimento". A proposta era discutir as consequências das modificações do PDM, que vai possibilitar a criação de pólos industriais na área rural do município.

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"O documento é uma moção de repúdio à ilegalidade na forma como foram tratadas as mudanças no PDM por parte da Prefeitura. Não houve discussão ampla com a sociedade por parte do Executivo municipal", disse o vereador João Batista Babá (PT).

Em recente entrevista à Rádio CBN, o secretário de Desenvolvimento Econômico de Vila Velha, Harlen da Silva, afirmou que, para as mudanças, foram considerados mapas das áreas de proteção ambiental e os terrenos foram avaliados de modo a não influir nas áreas de proteção.

Entenda

Entre as principais mudanças no PDM da cidade está a alteração do zoneamento de parte da área rural do município. Atualmente, 60% da área total de Vila Velha são consideradas rurais. A ideia é transformar 7% dessa área em zona urbana para a instalação de indústrias.

Os vereadores aprovaram o Projeto de Lei que permite as mudanças em julho. Em seguida o prefeito Neucimar Fraga (PR) sancionou o projeto, mesmo com recomendação do Ministério Público Estadual (MPE) para que o vetasse.


Fonte:
http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2011/08/a_gazeta/minuto_a_minuto/946790-seminario-gera-documento-repudiando-conducao-do-pdm-em-vila-velha.html

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Mobilidade na GV: Prof Arlindo Villaschi (UFES) aponta erros do passado e possibilidades do Aquaviário de Vitória

publicado em 11 de agosto de 2011 por Cristina Moura (www.seculodiario.com.br

Aquaviário: para Villaschi, usuário deve lutar
por transporte de qualidade com integração

O professor de Economia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Arlindo Villaschi entende que o sistema aquaviário de transportes de passageiros é uma solução plausível, mas que não se pode cometer o mesmo equívoco do passado, em se conectar somente à visão empresarial. A ideia é promover a integração com o sistema rodoviário e lutar pela implantação de um transporte público de qualidade. “A tecnocracia atrapalhou. Dou a mão à palmatória, pois não conseguimos envolver o empresariado do setor de ônibus”, lamentou.
Villaschi é um dos idealizadores da implantação do sistema aquaviário na Grande Vitória. Ele reconhece que, nos anos de 1972 e 1973, durante o governo Élcio Álvares, a consequência dos investimentos em petróleo em nível federal colaborou para a implantação de diversos meios de transporte, inclusive o aquaviário. Houve conflitos diversos de interesses, tanto na esfera pública quanto na privada. Nos últimos meses, o assunto voltou a ser debatido no meio político.
De acordo com uma alteração que ocorreu na Lei 3.693/1984, em janeiro de 2010, a Companhia de Transportes Urbanos da Grande Vitória (Ceturb-GV) está autorizada a contratar o serviço de transporte hidroviário, mediante concessão. A alteração viabiliza juridicamente a reestruturação do sistema aquaviário, dentro da lei que rege o Sistema de Transportes Urbanos da Aglomeração Urbana da Grande Vitória.
No momento político atual, segundo Villaschi, a tônica deve ser a de se proporcionar mais opções ao usuário. Para ele, nos últimos oito anos, o ponto de discussão que deveria ser o de “transporte público de passageiros” como um todo saiu da agenda. “Cada vez mais, a sociedade se prepara para facilitar o uso de automóveis. O transporte público de passageiros ainda é precário”, apontou.
Na avaliação de Villaschi, o transporte aquaviário é um exemplo que ocorre em outros estados e que poderia tranquilamente acontecer no Espírito Santo, pois polui menos e o custo é quase zero. O problema é que mexe com o “status quo” e as autoridades não estão colocando como prioridade. “O automóvel está sufocando a cidade, assim como o cigarro nos pulmões dos indivíduos”, comparou.
Villaschi aconselhou que, se o Estado quiser ser contemporâneo, deve pensar os meios de transporte como parte inteligente de um sistema público. O turismo é um foco que poderia ser também explorado pelo sistema aquaviário, dadas as belas condições geográficas onde está inserida a Grande Vitória. Bicicletários seriam também opções alternativas para desafogar o trânsito.
Para o professor de Economia, a tarifa integrada é uma conquista que o usuário tem que valorizar. O BRT (Bus Rapid Transit) ou corredor exclusivo para ônibus, assim como o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) ou metrô de superfície, podem ser absolutamente complementares.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Os bairros da Grande Vitória onde ônibus é um artigo de luxo

Quem mora em bairros da periferia da Grande Vitória, onde há poucos coletivos, passa por um sufoco. Para não perder a hora no trabalho, o jeito é acordar mais cedo ou, até mesmo, andar quilômetros

Wilton Prata - NOTÍCIA AGORA

Todos os dias, a auxiliar de serviços gerais Roseli de Fátima, 42 anos, sai de casa de madrugada  e vai caminhando da parte alta do bairro Jardim América, em Cariacica, até o ponto de ônibus na BR 262 para pegar um coletivo e  ir  ao trabalho, em Vitória.

Apesar de morar a menos de um quilômetro do Terminal do Transcol de Jardim América, na região onde mora, há apenas uma linha que passa de hora em hora e na parte baixa do bairro.

Assim como ela, milhares de pessoas que moram em bairros da periferia da Grande Vitória, onde há poucos ônibus,  passam por uma verdadeira via- crúcis, todos os dias, para andar de transporte coletivo. São comuns casos de pessoas que caminham até quatro quilômetros para conseguir pegar um ônibus; ou que esperam horas e horas no ponto para tentar entrar em um coletivo  que, geralmente, passa lotado. 
Auredalto Araújo, 29 anos, entrevistado sobre a qualidade do transporte coletivo da Grande Vitória
Auredalto Araújo, 29 anos, mostra a qualidade do transporte da Grande Vitória - foto: Vitor Jubini

"É perigoso andar sozinha de madrugada, mas vou fazer o quê? Preciso estar no trabalho às 6h e a primeira viagem da  linha 736, que passa perto da minha casa, só sai às 5h50min. Não temos muitas opções", conta Roseli.
Já a corretora de seguros Sueli Silva, 40 anos, chega a esperar uma hora no ponto para pegar a linha 801, única que passa em Valparaíso, na Serra. Com a falta de opções, ela precisa caminhar cerca de 30 minutos até a Avenida Central, em Laranjeiras, em busca de outros coletivos.


Na zona rural de Vila Velha, a situação é ainda pior

Se está difícil a situação para quem precisa pegar ônibus na área urbana, imagine para os que moram na zona rural. Na região de Xuri, em Vila Velha, as pessoas chegam a andar quatro quilômetros para ter mais opções de coletivo, já que, dependendo da linha, a espera chega a quatro horas.

"Andar de ônibus aqui é complicado. O jeito é pegar carona com os conhecidos ou ir caminhando até Morada da Barra, para pegar um coletivo mais rápido. É preciso rezar para não passar mal de noite, pois, depois das 20h não há mais ônibus nessa região",  disse a moradora Vera Lúcia da Boamorte, 55 anos.

A secretaria de Transporte e Trânsito de Vila Velha, que gerencia o sistema municipal,  informou que, por mês, apenas 290 passageiros da área rural utilizam o ônibus. Ou seja: cerca de 10 passageiros, em média, por dia. Como a demanda é baixa, não foi identificada necessidade de aumento da oferta de ônibus. A linha 061 da Sanremo atua na região há 15 anos. A região é atendida ainda pelo Sistema Transcol.


Leia a matéria completa: http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2011/08/noticias/especiais/925033-os-bairros-da-grande-vitoria-onde-onibus-e-um-artigo-de-luxo.html