quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Censo 2010 e Indicadores sociais

Indicadores Sociais Municipais 2010: incidência de pobreza é maior nos municípios de porte médio

Os resultados do Censo Demográfico 2010 mostram que a desigualdade de renda ainda é bastante acentuada no Brasil, apesar da tendência de redução observada nos últimos anos. Embora a média nacional de rendimento domiciliar per capita fosse de R$ 668 em 2010, 25% da população recebiam até R$ 188 e metade dos brasileiros recebia até R$ 375, menos do que o salário mínimo naquele ano (R$ 510).
Em 2010, a incidência de pobreza era maior nos municípios de porte médio (10 mil a 50 mil habitantes), independentemente do indicador de pobreza monetária analisado. Enquanto a proporção média de pessoas que viviam com até R$ 70 de rendimento domiciliar per capita naquele ano era de 6,3%, nos municípios com 10 mil a 20 mil habitantes, essa proporção era duas vezes maior.

O restante da matéria:  
http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=2019&id_pagina=1



Um texto de divulgação do Censo 2010 sobre alguns dados acerca de indicadores como analfabetismo, saneamento básico, renda etc. É interessante observar que os resultados divulgados ressaltam que os indicadores de pobreza nos municípios de porte médio (para o IBGE, com população entre 10 e 50 mil habitantes) são mais elevados, se compararmos com as aglomerações maiores. Evidentemente, esses resultados têm limites se levarmos em conta o que é uma cidade desse porte no estado de São Paulo ou Rio de Janeiro, no Espírito Santo ou no Amazonas, porém, de qualquer maneira as informações são relevantes para pensarmos o fenômeno urbano e as políticas de planejamento.
Quais são os rebatimentos de tais informações para a dinâmica socioeconômica do Espírito Santo? Vai na direção da proposta de descentralização e interiorização do desenvolvimento apregoado pelo Governo Estadual no ES 2025? E essa proposta de desenvolvimento irá atacar de fato a pobreza? 

Postado por Thalismar

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Questão da moradia popular na Argentina



Um documentário sobre a questão do acesso à terra urbana em Cordoba, na Argentina. É importante observar que a questão da habitação popular é um problema de toda a América Latina. Num contexto onde a terra urbana passa a ser cada vez mais estratégica para a acumulação do capital, o acesso a terra urbana pelos grupos sociais mais pobres torna-se cada vez mais mais difícil.
Postado por Thalismar

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Projetos do poder público para a mobilidade X Moradores de Eurico Salles

Desde 2009 os moradores de Eurico Salles, Serra, têm se mobilizado na tentativa de evitar que o Terminal de Carapina seja transferido para uma área próxima ao bairro. Desde então, tem ocorrido protestos, reuniões com a CETURB, audiências públicas. Hoje a tarde (01/11/ os moradores realizaram mais um protesto. 
Para os moradores, um terminal rodoviário trará mais aspectos negativos que positivos para a comunidade. O principal argumento, por parte da Associação de Moradores, é aumento de fluxo de veículos estimulado pelo Terminal. Além disso, a centralidade provocada por um equipamento urbano como esse pode estimulador uma rápida e intensa mudança no perfil do bairro a partir do desenvolvimento comercial. As ruas pacatas com residências podem ceder espaço, com o tempo, a lojas, carros etc. 
Estratégicamente, a relocalização do Terminal se articula a um processo de requalificação do espaço sul da Serra, cujos principais icones são os condomínios e o Shopping Mestre Álvaro. O novo Terminal de Carapina é uma peça chave para a reestruturação do espaço para o consumo. É o Estado, mais uma vez, tornando os negócios privados viáveis por meio do dinheiro público. Porém, essa ação do poder público vem acompanhada do discurso falasioso de que a definição da localização obedece exclusivamente a critérios técnicos. 
Os moradores, no entanto, não aceitam esses "critérios" técnicos. Argumentam que há outras áreas no município para tal equipamento, como pode ser lido no Dossiê da AMBES (em link abaixo). 
Alguns links sobre o caso: 
http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2011/02/763866-terminal+do+transcol+motiva+protesto+em+eurico+salles.html
http://eshoje.jor.br/construcao-de-terminal-causa-protesto-e-fechamento-de-via-na-serra.html

Dossiê da AMBES: http://ambes.com.br/associacao/oficios/415-oficio-0952011-dossie-sobre-fechamento-do-terminal-da-ceturb-em-carapina-e-sua-transferencia-para-o-bairro-eurico-salles.html


 Postado por Thalismar


domingo, 23 de outubro de 2011

Mais uma estratégia da cidade competitiva ...Arena Esportiva e Cultural: Serra

Na semana passada foi anunciada a construção de uma Arena Esportiva e Cultural, em Jacaraípe, Serra. Esse grande empreendimento será financiado por recursos federais, estaduais e do município. A justificativa, mais uma vez, é que essa Arena, com padrão "internacional", poderá colocar o município da Serra na rota de eventos esportivos nacionais e internacionais. Em função desse contexto, seriam criadas oportunidades de investimentos e geração de emprego e renda.   
Será que essa é melhor forma de politica esportiva? Será que esse grande montante de dinheiro não poderia ser investido em dezenas de complexos esportivos, de menor porte, ligados as escolas públicas, estimulando os jovens a praticarem diversas modalidades esportivas? 
Além de representar um alcance limitado para o desenvolvimento do esporte local, essa obra pontual promoverá uma diferenciação do espaço urbano, potencializando a atividade imobiliária em Jacaraípe. Inflacionando ainda mais os terrenos. Os impactos urbanos, os negativos, de tais empreendimentos devem ser colocados na pauta das discussões. Esses projetos são "empurrados" para a população sem nenhum diálogo efetivo.

Matéria completa no sitio da prefeitura da Serra:
Estado e Serra assinam convênio e ordem de serviço para construção de Arena Esportiva e Cultural com padrão internacional 20/10/2011 por Alexandro Xavier

 PMS
 
A Arena Cultural e Esportiva Jacaraípe poderá abrigar competições e delegações esportivas

O Governador Renato Casagrande e o Prefeito Sérgio Vidigal assinam nesta sexta-feira (21), às 19 horas, o convênio e a ordem de serviço para a construção da Arena Esportiva e Cultural Jacaraípe, no local do antigo Clube Riviera. O complexo de esportes e lazer terá um investimento de R$ 11,97 milhões. Do total, R$ 1,46 milhão é do Ministério do Esporte, via emenda parlamentar, e R$ 10 milhões serão repassados pelo Governo do Estado. A previsão é que a obra seja entregue em 540 dias. A solenidade será no local do antigo Clube Riviera.

A obra, de padrão internacional, terá quadra oficial para a prática de esportes em ambientes fechados e piso nos padrões dos ginásios dos times da NBA, a liga profissional de basquete dos EUA. O piso da quadra da Arena Esportiva e Cultura Jacaraípe será flexível, de poliuretano, composto de uma camada de borracha granulada, sem juntas ou emendas, com resinas autonivelantes. O material do piso reduz o impacto sobre as articulações dos atletas durante as quedas ou saltos, principalmente nos jogos de vôlei ou basquete, diminuindo o risco de contusões.

Matéria completa: http://www.serra.es.gov.br/portal_pms/ecp/noticia.do?evento=portlet&pAc=not&idConteudo=24457&acao=proc&pIdPlc=&app=

Postado por Thalismar

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

BBB como estratégia de combate a criminalidade

“(...) Na realidade os discursos repressivos (...) com a aprovação de instrumentos de penalização é uma espécie de cortina de fumaça e faz aumentar a naturalização dos controles sociais cruzados e diversos.”(ZANOTELLI et all, 2011)

Nos últimos dias a prefeitura da Serra anunciou a expansão de sua rede de monitoramento para mais 19 bairros do município.  Atualmente, o número de câmeras ultrapassa uma centena. O que se observa é a rápida expansão das câmeras no município. Esse processo de controle do cidadão tem se mostrado uma estratégia privilegiada da PMS no combate a criminalidade. Notícias recentes apontam a redução quantitativa de infrações nos bairros monitorados, evidenciando, para a opinião pública, que a aposta nas câmeras foi um “tiro” certeiro, perdoe-me o trocadilho.
A criminalidade é um tema complexo. Certamente o monitoramente em determinadas áreas da cidade, provocaram, de imediato, uma redução das infrações. Esse controle do espaço pelas câmeras provocará constrangimentos de determinadas práticas, como as ilícitas. No entanto, não podemos reduzir uma política de segurança pública a uma espécie de BBB.
Por um lado, práticas como o monitoramento nos bairros considerados mais violentos expressam uma ação de controle direto do Estado sobre a população da periferia. Por outro, a instalação de câmeras na cidade estimula o mercado da segurança, que tende a se expandir cada vez mais, na medida em que o medo e a insegurança se espalham, em grande parte estimulada pelas matérias sensacionalistas da mídia.
As diferentes expressões da violência urbana são frutos de um processo de urbanização excludente, típicos de países como o Brasil. As taxas de violências crescem na medida em que a desigualdade e exclusão se acirram. A política das câmeras expressa a ideia de que a violência está no outro, é culpa do outro. Na verdade a violência urbana é expressão de nossa sociedade, porém, as maiores vítimas tem idade, cor, classe social e local de moradia: jovem, negro ou pardo, pobre e morador da periferia (ZANOTELLI et  all, 2011).

Algumas matérias:

Sugestão de leitura: ZANOTELLI et all. Atlas da criminalidade no Espírito Santo. São Paulo: Annablume, 2011.
Postado por Thalismar Gonçalves